Editorial
À cada esquina e lugar, nascem, todos os dias, em quintais
próprios ou arrendados, novos locais de oração, ou seja, pequenas congregações
que aqui chamamos de Seitas. Só nos municípios de Luanda e Belas, temos pouco
menos de 100 Seitas que algumas alegam estar devidamente reconhecidas pelo
Ministério da cultura.
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| Pequeno grupo religioso no interior do Cassequel do Buraco |
Segundo Fernão Capelo Gaivota, o ser humano quer ir além dos
limites da existência terrestre e voar até aos espaços do infinito. A busca e a
vivência de Deus fazem parte integrante do homem e da mulher. Logo, a religião
é um espaço e uma ajuda para a procura e a esperiência do Divino.
Na Socedade moderna, o desejo do Absoluto, particularmente os
jovens não se sentem identificados e valorizados nas relgiões e igrejas tradicionais.
A partir do fim do século passado, após a década de 60, surgem novas religiões,
cheias de vitalidade e dinamismo, que procuram, sobretudo, os jovens e surgem
principalmente nos grandes centros urbanos. São estas que genericamente se
chamam seita. São muitas vezes os
jovens a procurar nas seitas o calor humano que não encontram noutros espaços,
os valores espirituais que lhe dão segurança, o trascendente que a sociedade
tecnológica quer ignorar.
A palavra seita deriva
dum verbo latino que significa seguir. As seitas são geralmente formadas por
desistentes de alguma comunidade maior que seguem um iluminado. Nestes grupos
predomina a sugestão emotiva e a certeza de serem eleitos, salvos e melhores.
Existem os grupos
desistentes do cristianismo. São de inspiração judaico-cristã que têm por
base a mensagem do cristianismo, já que todos se afirmam cristãos!
Caracterizam-se pelo uso exaustivo e abusivo da Bíblia da qual fazem uma
leitura à letra, por uma adesão radical e ostensiva, pela espera do final dos
tempos que accontecerá brevemente.

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